Publicado por: Pedro Tavares | 08/11/2008

Carlos Chagas

Carlos Chagas

 

Há 74 anos, desencarnou Carlos Justiniano Ribeiro Chagas, ou simplesmente Carlos Chagas. Médico e sanitarista, nasceu em 09 de julho de 1879, em Oliveira – MG. Aos 4 anos, perdeu o seu pai, José Justiniano Chagas.

Em 1897, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Depois de formado, conheceu Oswaldo Cruz, a quem muito admirava.

Responsável por um trabalho único na história da medicina: descobriu o agente causador de uma doença e o batizou de Trypanossoma cruzi, em homenagem a Oswaldo Cruz. Além de descobrir e estudar o protozoário causador da doença, ele descreveu as características da moléstia e ainda descortinou a importância social da nova doença, entre as endemias que assolavam o país.

“O descobrimento desta moléstia constitui o mais belo exemplo do poder da lógica a serviço da ciência. Nunca até agora, nos domínios das pesquisas biológicas, se tinha feito um descobrimento tão complexo e brilhante e, o que mais, por um só pesquisador,” diz Oswaldo Cruz.

Sua obra, porém, não se restringiu à doença de Chagas. Foi o primeiro a descrever as lesões da medula óssea na malária, descobriu novos e importantes transmissores e revolucionou sua época ao afirmar que a malária era uma infecção domiciliar, o que provou posteriormente com o sucesso de suas campanhas.

Após a morte de Oswaldo Cruz, em 1917, Chagas assumiu a direção do Instituto de Manguinhos. No ano seguinte, foi chamado pelo governo brasileiro para chefiar a campanha contra a epidemia de gripe espanhola, que assolava o Rio de Janeiro. Em seguida foi encarregado pelo presidente Epitácio Pessoa de elaborar um novo código para a Saúde Pública. O novo regulamento, uma segunda reforma sanitária, foi aprovado em 1919 e entrou em vigor a partir de 1920. Criava o Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), em substituição à antiga Diretoria Geral de Saúde Pública, responsável pelos serviços sanitários terrestres, marítimos e fluviais e pelos serviços de profilaxia rural.

Designado chefe do DNSP, criou diversos serviços especializados de saúde, como o de higiene infantil, de combate às endemias rurais, à tuberculose, à hanseníase, às doenças venéreas. Criou ainda escolas de enfermagem e estabeleceu a formação de médicos sanitaristas. Em 1925 foi nomeado professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Lá, criou a cadeira de moléstias tropicais e estabeleceu as bases do estudo de higiene em nosso país. Além disso, Carlos Chagas representou o Brasil em vários comitês internacionais, principalmente como membro permanente do Comitê de Higiene da Liga das Nações.

Ao desencarnar, Chagas assume o pseudônimo de André Luiz, e comunica-se através do médium Francisco Cândido Xavier, pelo qual escreveu uma série de livros que levantam um véu para nós sobre como é a vida no plano espiritual. Seus livros são constantemente prefaciados por Emmanuel, guia espiritual de Chico Xavier.

No prefácio do livro “Nosso Lar”, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier, Emmanuel apresenta o amigo André Luiz e fala sobre espiritismo, espiritualismo e espiritualidade.

Novo Amigo
Prefácio do livro “Nosso Lar”

“Os prefácios, em geral, apresentam autores, exaltando-lhes o mérito e comentando-lhes a personalidade.

Aqui, porém, a situação é diferente.

Embalde os companheiros encarnados procurariam o médico André Luiz nos catálogos da convenção.

Por vezes, o anonimato é filho do legítimo entendimento e do verdadeiro amor. Para redimirmos o passado escabroso, modificam-se tabelas da nomenclatura usual na reencarnação. Funciona o esquecimento temporário como bênção da Divina Misericórdia.

André precisou, igualmente, cerrar a cortina sobre si mesmo.

É por isso que não podemos apresentar o médico terrestre e autor humano, mas sim o novo amigo e irmão na eternidade.

Por trazer valiosas impressões aos companheiros do mundo, necessitou despojar-se de todas as convenções, inclusive a do próprio nome, para não ferir corações amados, envolvidos ainda nos velhos mantos da ilusão. Os que colhem as espigas maduras, não devem ofender os que plantam a distância, nem perturbar a lavoura verde, ainda em flor.

Reconhecemos que este livro não é único. Outras entidades já comentaram as condições da vida, além-túmulo…

Entretanto, de há muito desejamos trazer ao nosso círculo espiritual alguém que possa transmitir a outrem o valor da experiência própria, com todos os detalhes possíveis à legítima compreensão da ordem que preside o esforço dos desencarnados laboriosos e bem intencionados, nas esferas invisíveis ao olhar humano, embora intimamente ligadas ao planeta.

Certamente que numerosos amigos sorrirão ao contato de determinadas passagens das narrativas. O inabitual, entretanto, causa surpresa em todos os tempos. Quem não sorriria, na Terra, anos atrás, quando se lhe falasse da aviação, da eletricidade, da radiofonia?

A surpresa, a perplexidade e a dúvida são de todos os aprendizes que ainda não passaram pela lição. É mais que natural, é justíssimo. Não comentaríamos, desse modo, qualquer impressão alheia. Todo leitor precisa analisar o que lê.

Reportamo-nos, pois, tão somente ao objetivo essencial do trabalho.

O Espiritismo ganha dilatada expressão numérica. Milhares de criaturas interessam-se pelos seus trabalhos, modalidades, experiências. Nesse campo imenso de novidades, todavia, não deve o homem descurar de si mesmo.

Não basta investigar fenômenos, aderir verbalmente, melhorar a estatística, doutrinar consciências alheias, fazer proselitismo e conquistar favores da opinião, por mais respeitável que seja, no plano físico. É indispensável cogitar do conhecimento de nossos infinitos potenciais, aplicando-os, por nossa vez, nos serviços do bem.

O homem terrestre não é um deserdado. É filho de Deus, em trabalho construtivo, envergando a roupagem da carne; aluno de escola benemérita, onde precisa aprender a elevar-se. A luta humana é a sua oportunidade, a sua ferramenta, o seu livro.

O intercâmbio com o invisível é um movimento sagrado, em função restauradora do Cristianismo puro; que ninguém, todavia, se descuide das necessidades próprias, no lugar que ocupa pela vontade do Senhor.

André Luiz vem contar a você, leitor amigo, que a maior surpresa da morte carnal é a de nos colocar face a face com a própria consciência, onde edificamos o céu, estacionamos no purgatório ou nos precipitamos no abismo infernal; vem lembrar que a Terra é oficina sagrada, e que ninguém a menosprezará, sem conhecer o preço do terrível engano a que submeteu o próprio coração.

Guarde a experiência dele no livro dalma. Ela diz bem alto que não basta à criatura apegar-se à existência humana, mas precisa saber aproveitá-la dignamente; que os passos do cristão, em qualquer escola religiosa, devem dirigir-se verdadeiramente ao Cristo, e que, em nosso campo doutrinário, precisamos, em verdade, do Espiritismo e do Espiritualismo, mas, muito mais, de Espiritualidade.

Emmanuel
Pedro Leopoldo, 3 de outubro de 1943.”

Nosso Lar - O Filme

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Responses

  1. Sou espírita,moro em São Maateus do Sul, PR e gosto muito de estudar a Doutrina e ler, mas foi só depois de colocar internet em casa, há uns cinco meses , e navegando nos sites espíritas foi que eu descobri que Andre Luiz é pseudonimo para Carlos Chagas. Fiquei tão surpresa quanto feliz.Que maravilha é a internet quando sabemos usá-la e como é bom a cada dia a Doutrina Espírita nos ensinar coisas novas. Abraços.

  2. A teoria até que é boa, mas não procede. A biografia de Carlos Chagas não tem nada a ver com a do querido André Luiz, a não ser o fato dos dois terem sido médicos. Leiam novamente a obra Nosso Lar e vejam que os pequenos dados biográficos que o espírito informa são bem diferentes dos de Carlos Chagas. Seria até bom que fosse verdade, mas não é. Abraços fraternos.

    • Olá, Eder. As diferenças biográficas entre os dois espíritos foram propositais, para que a história não fosse entendida como desrespeitosa à família e à memória de Carlos Chagas. Hoje, graças às palavras do próprio Chico, nós podemos conhecer a verdade. Embora, não é objetivo do espiritismo buscar saber quem foi este ou aquele em outras vidas, mas sim usar os exemplos como fomas de escalarmos rumo a Cristo.

      • Prezado Pedro, a explicação sobre a diferença biográfica, teoricamente, pode ser aceitável. Porém, temos visto notícias de pessoas que disseram ouvir da boca do Chico de que ele era a Flávia de Há 2000 anos, outros disseram ter a certeza com o Chico de que ele era Kardec. Outros disseram que Kardec era o Zarur, outros que Kardec era um tal de Osvaldo Polidoro, outro que Kardec é o Emmanuel. Diante disto, fica difícil acreditar no que dizem, pois uma coisa não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Prefiro caminhar com informações mais concretas diante do exposto acima.

  3. Bom gente, não sou espirita, mas acredito.

  4. André Luiz é Faustino Esposel.

  5. Sempre achei que as pessoas que poderiam responder isso com propriedade eram as pessoas que conviveram com Chico em Pedro Leopoldo e Uberaba mais proximamente. E, principalmente quem psicografou Andre´Luiz com ele. No caso, O Waldo Vieira.

    O Waldo VIeira informou ser sim André LUiz o Carlos Chagas. E, ainda disse mais. QUe ele, Waldo, antes de tomar maior contato com o CHico, psicografava mensagens de Carlos Chagas. QUando uma vez o CHico o chamou dizendo que eles iriam trabalhar juntos as obras de André Luiz, e disse que ele já vinha psicografando com André Luiz, fazia tempo só que com seu nome verdadeiro. Waldo Vieira também falou que uma vez, já morando no RIo de Janeiro André Luiz/ Carlos Chagas apareceu para ele e o chamou para entrar em uma loja em Ipanema.

    Venha conhecer minha neta: Ele entrou e viu a neta de Carlos Chagas.

    O retrato conhecido de André Luiz foi O DR. Waldo VIeira quem ajudou a confeccionar via clarividência.e para o bom pesquisador verá que o retrato é na verdade similar a Carlos CHagas quando mais moço.

    Realmente a obra de André Luiz não poderia ter os problemas que Humberto de Campos teve, e , por isso, toda a elaboração da obra inicial de Nosso Lar foi elaborada de tal forma que a família de Chagas, tradicional e muito ligada ao catolicismo não fosse incomodada.

    SUely Caldas Schubert no livro Testemunhos de CHico Xavier esclarece com clareza que André Luiz na verdade trazia ensinos de vários mentores.

    Ele, Carlos CHagas trouxe no livro Nosso Lar experiências valiosas que foram adaptadas de alguém da equipe dele. Misturando suas experiências com a de outros trabalhadores. è um esforço de equipe seriíssimo. Mas o escritor, o espírito comunicante é Carlos Chagas.

    O Luciano dos Anjos levantou essa hipótese do Faustino Esposel, mas ele infelizmente está equivocado. Pode até ser que esse médico tenha participado da equipe André Luiz e não é de todo descartável que parte da história do primeiro livro Nosso Lar seja dele, pode ser, mas o espírito que psicografa é Carlos Chagas,.


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