É comum escutar o nome Santa Marina associado a uma conhecida marca de aparelhos de jantar em peças de vidro resistente.
É, no entanto, pouquíssimo ou nada conhecida a personagem canonizada pela Igreja Católica no século V. Sua história ficou conhecida no ocidente a partir do século XI quando suas relíquias foram trazidas para Veneza por Godofredo de Bouillon, o herói da primeira cruzada. Em ação política na cidade de Alexandria, no Egito, descobriu ele o culto popular a esta desconhecida personagem e encantou-se com a sua história. Descobriu o nobre bolonhês que a estranha moça internara-se num mosteiro católico na cidade de Alexandria provavelmente no segundo século e lá vivera um drama comovente.
De provável origem nobre, a moça ficara órfã e para proteger-se da maldade dos homens travestiu-se de homem e asilou-se num monastério cristão. A história de Santa Marina espalhou-se pelos arredores de Alexandria e pelo chamado arco Mediterrâneo, convertendo-se num mito. É reconhecida em Alexandria, no Líbano, na Europa oriental e em Veneza. A sua biografia é encontrada nas línguas árabe, siríaco, italiano, espanhol e inglês. É venerada pelos católicos, maronitas, ortodoxos russos e ortodoxos gregos. Os Mosteiros de então eram exclusivamente para homens. Ela vestiu-se como o pai, que era também religioso. Apresentando as credenciais paternas, foi aceita na clausura como um jovem emberbe sob o nome de Frade Marinho. Foi submetida então aos duros encargos de um noviço, da limpeza à provisão do monastério.
Era encarregada de periodicamente deixar a sua cela e encaminhar-se à cidade mais próxima para comprar mantimentos. As distâncias eram percorridas a pé. Periodicamente então, ela caminhava alguns quilômetros celeremente para adquirir os gêneros alimentícios para a comunidade. Pernoitava na estalagem do próprio fornecedor e retornava no dia seguinte ao convento. Moravam nesta estalagem o dono e sua filha. Esta se encantou com o jovem noviço e declarou-se para “ele”. Naturalmente, Marina esquivou-se da sedução, dizendo-se fiel aos seus votos. Tempos depois, a inquieta moça engravida e conta ao seu pai, o estalajadeiro, que havia sido seduzida pelo frade Marinho nos seus pernoites na estalagem.
O fornecedor vai imediatamente comunicar o fato ao prior do convento. O Frei Marinho é acusado diante de todos os frades e não se defende. É expulso da comunidade e quando nasce o bebê, o prior permite que ele more num casebre frio com o pequeno, sem no entanto ter direito algum na irmandade. Ali o Irmão Marinho criou o seu “filho”, plantou um pomar e fundou uma pequena escola… (continuaremos)
