Publicado por: Pedro Tavares | Março 28, 2009

Não existem corruptos

Flávio Mussa Tavares
Campos dos Goytacazes, 28 de março de 2009
Monitor Campista

Cheguei à surpreendente conclusão de que não existem corruptos. Pode parecer estranho essa afirmação em uma sociedade que vive saturada de notícias de corrupção em todos os níveis de administração pública, privada e público-privada. Há queda dos índices de desenvolvimento econômico-social, gerada pelo desvio do capital aplicado no setor público.

Há maior morbidade por epidemias por causa da dissipação de verbas para saneamento básico. Há maior mortalidade infantil por desnutrição. Se essas são consequências diretas da corrupção, então, não há corruptos, há assassinos! Considerar pessoas inescrupulosas, que se locupletam com desvios de verbas como “corruptos”, pode ser um grande eufemismo.

Banalizou-se a corrupção! A prática disseminou-se de tal forma que é comum considerá-la “normal”. Aplica-se aqui o aforismo bíblico: “Por muito se praticar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.” (Mt 24:12). O verbo esfriar é iterativo, indica uma ação continuada e progressiva. Se algo esfria, leva um tempo, há uma duração. O homem comum deixa esmorecer a esperança, a fé e o amor por testemunhar a maldade, a injustiça e o descalabro social.

Assistir a noticiários com sucessivas exposições da amoralidade do ser humano, da falta de caráter, da insinceridade e da impiedade social, tem um resultado que vai além de suas consequên-cias diretas, acima expostas. Há ainda a consequência moral. A consequência direta é a morte de pessoas. A consequência moral é a morte de almas.

Portanto, não existe a figura eufêmica do corrupto. Existe o assassino de crianças. Existe o causador de abortos criminosos nas gestações frustradas por desnutrição. Existe o assassino de idosos que tem os programas sociais suspensos pela malversação de verbas. Existe o assassino por doenças epidêmicas, cujo controle depende de vontade política. Existe o assassino por desastres sociais e econômicos gerados por desemprego. Existe o assassino do futuro de muitos jovens. Existe o assassino, enfim, da fé, da esperança e do amor, dons divinos, expropriados da alma humana por aqueles que não podem ser quase que ingenuamente chamados de “corruptos”. São assassinos!


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